24 dezembro, 2010


CARA METADE

A cada dia descubro que somos
metade de nós na outra,
sem esforço, amargura ou desgraça,
somos uma dupla cheia de graça!

Brincamos com arte e deboche
na magia do sorriso que trocamos
a cada vez que ficamos frente
a frente com o desejo,
que nos queima a alma,
e nos acalma o corpo!

Nossa face se irradia de alegria
e sequer rubor apresenta,
pois é tanta a magia
que o momento não comporta
uma crise de consciência.

Somos metade de nós na outra,
sem disfarce, temor ou pudor,
apenas amantes, sem compromisso!

Sem disfarce, colocamos com arte
na maior cara de pau,
o tédio para fora, e, com a maior
desfaçatez, esticamos as canelinhas
com o imenso prazer que sentimos,
quando com amor nos tocamos
a cada entardecer, com o som animal
da passarinhada fazendo dueto
com a nossa cantoria particular!

Somos sem igual a fazer tudo
que metade do povo
quer e não pode.

Somos duas metades
a se espalhar pela cama,
na maior cumplicidade
que podíamos desejar!

21 dezembro, 2010




UM BRINDE

Você surgiu na minha vida
como uma onda voltando pro mar,
sempre presente, numa constância
quase rítmica, frenética, devassadora.

Todo dia, todo instante, toda hora,
a se mostrar majestosa,
bem espumante feito um champagne
em festa natalina, saboreada
gota a gota pela boca que te beija
e que tu beijas se entregando,
já sumindo sob meus pés, na areia!

Pura delícia de encantamento ,
sem prazo final para se acabar!

És minha praia particular
onde repouso o meu cansaço ,
faço e refaço o teu enfado
e desfaço por momentos
a vida decorada que tu levas.

Conheço tua pratica, tuas palavras,
teus macetes e meandros,
só não contava que o amor
chegaria na minha praia,
feito um nordestão, cegando
meus olhos com a própria
areia onde piso!

Disso tudo meu bem,
fica a beleza do dia,
o bronzeado do sol,
o olhar amoroso
das nossas tardes de amor!

Um Brinde,
Feliz Natal,
Tim Tim!!!

16 dezembro, 2010

* PONTO FINAL *

Ontem não suportei a pressão e chorei pelo esforço que faço todo dia em fingir para todos, que não estou nem aí para a nossa despedida.
Senti lágrimas caindo, quentes como um dia calorento de verão, pela face tensionada por não deixar transparecer a magoa da separação!
Tenho raiva de mim por ter me deixado ficar assim, por não romper esse laço que eu mesma ajudei a me prender no teu abraço!
Tenho raiva de mim por dilacerar minha alma, entristecer meu sorriso e renegar ao extremo esse meu coração que “ente aspas” ainda te ama!
Tenho raiva de mim por ter ficado afim de quem desde o começo, sabia e sentia que não era pra mim!
Porque não damos ouvidos aos nossos sentidos, que emitem sinais de alerta o tempo todo, para não nos deixarmos levar... Por quê?
Porque abracei o teu convite, a tua sedução, o teu encantamento? Por quê!
Tenho raiva sim de mim e vai ser assim desse modo que vou por um fim a essa estória de amor, que foi boa apenas no seu começo!
Vou achar um meio de arrancar essa saudade que me arrebenta a alma e em toda madrugada se instala feito um feitiço, tirando-me o sono e atormentando meu dia.
Tenho que sair dessa roubada, buscar forças que não tenho e tentar sobreviver como se tudo tivesse sido, apenas um pesadelo!
Porque tens que ser assim só de começos, inconstante e tão cheia de desdobres, não te basta apenas um de cada vez, tem ser as pencas...
Ainda bem que descobri em tempo que tem amores, que só vivem de começos!
Esse me deixou em luto, na mão, a deriva, feito metade de mim mesma, capenga!
Que merda!
Tenho que dar um ponto final, não quero isso pra mim!

14 dezembro, 2010


* ESTRELA DA NOITE *
O som estridente da noite,
onde murmúrios se fazem gritos,
onde corpos se insinuam
na alegria efêmera das fêmeas no cio,
alvo dileto dos machos quebrados,
são assim as baladas
dos que tentam na noite
achar seus carinhos perdidos.

Assim é à noite esfumaçada
dos lugares noturnos,
que deixa o cheiro forte da caça
nos copos vazios de cerveja e vinho!

Quantos “ficantes” acabaram sozinhos
depois das baladas ou ficaram ao lado
de quem sequer sabiam quem era!

És o exemplo dessa quimera,
querendo reviver um passado
ao lado de quem nunca foi
e que hoje, a muito tempo já era!

Com tuas próprias mãos
cavas a chaga para os teus próprios ais!

13 dezembro, 2010


* LUZES DE NEON *
A noite sempre tem um bar,
um lugar para se fazer de lar
um par para se dançar
e um amor até o amanhecer!
Se essa é a tua vontade,
se essa é a tua verdade,
vou acreditar que seja,
não faça meia volta
e siga o teu caminho...

Eu seguirei o meu
acreditando sempre
que não errei de carinho.
Fico com a saudade,
pois afinal o quê é a saudade
senão o grande amor que fica!

12 dezembro, 2010

*FRAGMENTOS D’UM DOMINGO*

Ta demais levar em frente
esse amor que aconteceu
de modo tão espontâneo.

Um sorriso, uma mão, um toque
e sem nenhum retoque
essa explosão subcutânea
a nos arrepiar a pele.

Tuas mãos conduziram as minhas
para delinear teu corpo
e sem perceber naquela hora,
gravei a tua geografia
em plena madrugada, pura magia
de fogos de artifícios
explodindo em nosso olhar!

Em seqüência...
só encantamento,
de entrega,
de amor
e de alegria...

Ah meu amor,
pudesse o tempo voltar,
eu juro que fugiria desse imbróglio,
que com ares de serpente,
num repente, me levaste pela mão:
Pura sedução num corpo de mulher!

Hoje eu vivo nesse encantamento,
desafiando dia a dia a vontade de te deixar,
pois não agüento mais a tua audácia
de querer servir a dois amores.

Sou assim, singular e única,
capaz de sair do teu caminho,
mesmo não tendo errado de carinho!

Vou me dar um tempo,
pois sem tempo de mim
me deixei abandonada!

Quais os frutos dessa escolha,
se em pleno domingo passo a limpo
a solidão da minha alma
numa folha de papel!

Cruel sacrifício para quem
fez das palavras, o exercício
maior para a sua terapia.

Não sou assim tão forte
como pensas que sou,
mas eu me ajeito
mesmo sem os teus cuidados!

Fica com as tuas fantasias,
dança todos os passos,
beba todos os vinhos
e o tempo dirá
quem de nós foi mais feliz!

11 dezembro, 2010


TRÊS É DEMAIS!

Se um mais um é dois,
outro com um também é dois,
quantos nós somos nesse triângulo?

Certamente três, eu diria!

Um triângulo de três pontas,
de três camas,
de três faces,
de três caras,
e de mentiras todo dia
pra ficar e pra sair.

Não quero que dividas tua cama,
pois a minha, só contigo eu divido!

Não me serve essa trilogia
de sorrisos e enganos,
de olhares e silêncio.

Quero um amor diário
que some, divida
multiplique e construa
um compromisso,
uma vida a duas mãos!

É assim que eu quero
levar a minha vida
e se te é difícil fazer isso,
lavo minhas mãos e refaço
essa minha caminhada!

Deixo-te a francesa,
em forma de poesia!

10 dezembro, 2010

* ESTOU DE CARA COM VOCÊ *

Há entre nós uma sintonia fina de atração, um efeito quase mortal que nos faz sorrir de emoção, que nos torna leves e soltas, e nos induz a deslizamos com gosto por entre pernas, procurando sedentas de prazer um oásis para aplacar a nossa sede.
Teu corpo ardente se oferece feito um banquete, em oferenda, num ritual mágico e apaixonante onde sem pudor, sacio minha fome, minha sede, meu prazer e também o cio que se mostra tão ardente pelo corpo arrepiado que abraço!
Da tua boca, ah essa é um poço de onde vem o mel que deixa o teu sorriso singular e que só nessas horas se mostra que eu adoro e provo sem nenhum medo de me lambuzar de prazer!
Que delícia é ficar assim contigo, o resto deixo de lado, pois se quiser entender, me ferro!
Como entender quem se faz tão diferente, que se mostra clara e tão amante e depois como num estalar de dedos, se refaz com outras caras!
Como compreender essa emoção repartida que se perde e que se agarra no meu amor tão surpreendido...
Como?
Será minha sina conviver com um amor dividido, repartido e bibolar!
E dizer que eu só queria um amor para me fazer feliz!

08 dezembro, 2010

DUETO
De que adianta ficar assim,
meio a meio,
dividida,
confusa nas suas escolhas,
se é comigo
que a tua vida toma brilho,
toma luz e sai pro dia!

De que adianta
esse passado
tantas vezes já vivido,
circundando tuas noites
com odores conhecidos,
de velhas lembranças
já mofadas pelo tempo,
envelhecidas,
se sou eu
que te chamo para vida!

De que adianta
a dança,
o vinho,
a cerveja,
o cigarro
perfumando tuas noites,
se é a saudade de mim
que te faz amanhecer!

De que adianta esse “dueto”,
essa dança das cadeiras,
onde um te leva pro gueto
onde muitos já passaram
por ti em disparada,
e eu que te quero doce
como antes, deliciosamente
feita para o meu prazer!

Toma tento,
ainda a tempo
de viveres esse amor comigo
pois não sendo menino,
te amo como mulher!

Toma tento,
ainda há tempo
para descobrires
que o teu amor por mim,
também, é feminino!

29 novembro, 2010


Porta Retrato II

Não somente minha cama,
meu corpo, meu abraço
coloquei ao teu dispor...

Meus sonhos, minha alma,
ah, esses dei–os
todos com os meus segredos!

Meu coração vagabundo
por andar sozinha, solitário,
deu a senha para fazeres tua morada
e assentada em prosa e verso,
arrumastes minha sala,
abancaste meu olhar,
já por ti enamorado...

Provei da tua boca, o mel,
pura delícia de sedução,
e, como fiel aprendiz de marinheiro,
joguei-me de biquinho na paixão:
Adrenalina pura dos que não
enxergam o medo a sua frente!

Tudo isso para que, se de tudo
que ficou, foi somente a tua foto
no porta retrato lá da sala:
Nossa alegria estampada em colorido!

Que pena que deixaste
meu coração lastimado!