12 outubro, 2007

Lembranças da Minha Infância

Já faz tempo
que tomei chuva
com os pés descalços,
brinquei de barro,
e subi em árvores.

Soltei pandorgas,
joguei bola de gude
e desci a Silva Jardim
de carrinho de rolimã.

Tomei banho de açude,
comi pitangas e amoras
e fiz das minhas manhãs,
verdadeiras madrugadas
esperando o trem,
para em férias seguir feliz
em direção do Alegrete.

Pesquei lambari no Rio Caverá
e busquei na lavoura,
milho verde para assar
no fogo de chão, do galpão,
e muita melancia madura
para matar a sede de um verão
quase sempre inesquecível!

Faz tempo que o tempo passou,
muitas coisas mudaram,
mas só não ficou para trás
as lembranças dessa infância
e da criança que ainda sou!

11 outubro, 2007

Esquecimento!

Esqueci pelo caminho
meus sonhos e fantasia,
misto de solidão e poesia
na rima imperfeita
da minha saudade!

Esqueci a cor e o perfume,
que aliciava a minha fome
pro teu corpo e pro teu cio,
prato requintado de sabores,
que a minha gula sorvia!

Esqueci a escada e os degraus
da tua casa, cama e mesa,
teu abraço e teus lençóis
que nas noites fria, aquecia
feito lareira, meu corpo que ardia
como brasa de desejo!

Esqueci teu beijo e tuas juras
e no meio de todas elas,
aquela de que eu era
tão somente o teu amor!

Esqueci de tudo um pouco,
menos o meu lado lúdico
de andar de bicicleta!

05 outubro, 2007


Parabéns!
Feliz aniversário!
Saúde e felicidade!
Palavras que sempre ouvimos quando do nosso “niver”, seja por nossos afetos, seja por nossos amigos, familiares e afins!
Mas o que é esse dia afinal na vida de quem é sempre lembrança, quase saudade?
Não saberia responder, apenas conjeturar, poemar talvez!
Estranho fazer essa saudação tão especial, estando longe e não podendo estender num abraço o meu carinho, sequer emitir o som da minha voz, e numa troca afetiva, saudar com alegria que hoje é teu aniversário e que não me esqueci dele.
Mas os caminhos da vida são múltiplos e múltiplos são os nossos sentidos e com certeza no recôndito mais harmonioso das nossas lembranças, nosso olhar sossega a melhor das nossas imagens! Sejam quais forem, são doces e ternas!
Heloísa, desejo nesse dia o canto do Sabiá Laranjeira em festa, num pé frondoso de amoreira madura, um Pôr-do-Sol radioso com uma leve brisa a balançar suas folhas, deixando uma doce fragrância no ar de pura natureza! Energia que nos abastece e nos mantêm acessos para vida que a cada dia bate no nosso coração, na nossa alma e no nosso olhar!
Que as força do bem e da Mãe Natureza sejam as guardiãs da tua saúde, das tuas alegrias e dos teus sonhos e por que não, das tuas fantasias!
Parabéns!
Feliz Aniversário!
Saúde e felicidade!

30 setembro, 2007


Tem momentos na vida da gente que nossa alma se acende e se recente do momento presente que vivemos ou até do que já vivemos um dia e que por incapacidade momentânea ou permanente, não conseguimos dar a devida interpretação e importância para nossa saúde mental, física e emocional e para todas as outras carências, que sequer temos noção da sua existência!
Volta e meia sou tomada por questionamentos que nem sempre às vezes consigo compreender, quanto mais ter a noção exata do que seja, na maioria das vezes, mas mesmo assim não me furto da bagunça que fica a minha emoção nessas tentativas, pois sei que aprendo e que tenho modificado meu olhar, o meu sentir e que as minhas emoções se reorganizam e se edificam em outros temperos e que amadureço as minhas percepções com muito maior afetividade!
Sei que não tenho o douto saber para tanto, mas algo nisso tudo me é profundamente atraente e sem pestanejar, arrisco o meu tempo e o meu pensar para montar e quem sabe até mesmo me desmontar, divergir e interagir com os meus próprios medos, senões ou certezas ainda não comprovadas por essas minhas procuras!
Certa vez num desses relacionamentos que construímos ao longo da vida, nessa incessante procura dos afetos que nos edificam e nos diferenciam como pessoa, tivemos que articular com zelo, carinho, compreensão e muita delicadeza o tempo e os momentos das trocas, dos afagos, das carícias e afetos entre dois corpos amantes e amados e com freqüências e necessidades tão diferentes entre si!
O que equilibra e dá partilha numa relação, senão os afetos descobertos a quatro mãos, a dois corações e a muitas imagens que dois olhares apaixonados são capazes de interagir, quando pele a pele, estão a namorar!
O quê?
O quê é importante nessa hora?
Ser sensual ou sexual!
Sei que toda vez que a sensualidade se fez presente, toda a trajetória sexual se fez bendita, alegre, criativa e extremamente prazerosa, seja nos afetos, nos gestos e palavras e nas fantasia da carne, a alma, o coração e o corpo, puseram cor e luz ao nosso olhar!
Não que não seja dadivoso a fome sexual, mas esta com certeza se não alimentada com as delícias comungadas, vai deixar sempre em algum lugar do nosso coração, um vazio que nenhum olhar saberá esconder, pois nessa hora, nosso olhar é o espelho da nossa alma!
Exercitar as palavras, os diálogos da alma e do corpo, sem duvida são as lições que precisamos estar sempre buscando, pois só assim dessa maneira, vamos estar sempre aprendendo a ser e a ter o que o nosso querer egoísta, não deixa perceber e que nos é dado pelo outro, muitas vezes em doses homeopáticas!
Esse aprendizado afetivo-amoroso foi o sinal mais contundente que ficou nesses treze anos de comunhão, partilhas, divisões, senões e lembranças que passaram a fazer parte dessas nossas memórias, tão cara e querida, que a vida com as suas contradições, nos proporcionou emoldurar nas nossas saudades!
O que é a vida, senão capturar vivências e com maturidade e inteligência emocional, reorganizar os sabores e sem nenhum disfarce, pouco a pouco, descobrir que a nossa natureza, permite elaborar e descobrir a grande capacidade de resiliência de que nós humanos somos possuidores e que muitos poucos conseguem, de poder fazer de um limão uma limonada!
Sou assim, enquanto muitos se apagam pelo dor, sou audaz e me refaço, cada dia mais faminta, iluminada pela luz de um novo amanhecer, que chega muitas vezes da onde não esperamos...
Palavras podem ser um bom e lindo recomeço!

29 setembro, 2007


CoLoRaDiNhO!

O velho chão encardido
da Baixada Melancólica,
já foi a muito, cenário
pra vitórias e derrotas!

Chão batido empoeirado
com grama rala vestido,
busca e tenta ser o palco
para mais uma epopéia!

Desta vez foi o Pelotas
que voltou para satoleP
sem lero-lero ou pelota,
que o Coloradinho buscou
nesse campo de batalha,
gravar no duro chão da Baixada,
o grito a tanto tempo guardado
que está na Primeira Divisão!

Santa Maria engalanada
tingiu o chão encardido
de vermelho e de alegria,
deixando a melancolia
pro outro estádio,
que também
dali se avista!

Que vitória, que torcida
que pôs fogo na Baixada!

Colorado, Coloradinho,
misto fraterno de duas torcidas
de cores tão diferentes!

Valeu!



28 setembro, 2007

Será tudo isso assim!!!

É complicado esse emaranhado de emoções que ora nos levam aos sonhos, ora nos jogam nas dores e calores do inferno.
Os estados afetivos da paixão realmente nos envolvem em tantos abraços, tantos afagos que muitas vezes a própria emoção do amor nos sufoca e nos afoga, deixando um rastro de luz e destruição...
Sim porque amor e paixão são sentimentos siameses, um não consegue sobreviver sem o outro, daí este estado de calamidade emocional!
Volta e meia eu costumo brincar com as palavras para tecer a minha teia, para poder tirar dela ensinamentos e questões que me fazem pensar e filosofar, sonhar e divagar, lançar duvidas e me fazer pensar...
Através da poesia que faço por diletantismo e prazer eu lanço os meus olhares e descrevo a natureza e as cores da emoção!
Como hoje as pessoas pouco param para pensar e observar, através das palavras e do meu olhar, colho impressões e teço a minha própria teia!
Eu filosofo!!!

27 setembro, 2007


Transeunte!

Braços entrelaçados,
linhas cruzadas,
emaranhado de fios...

Nós e laços,
velas ao mar,
barco a deriva...

Pensamentos soltos,
paixões avassaladoras,
gritos e urros no silêncio
frio e úmido das calçadas...

Passos cambaleantes
se equilibram no meio fio,
buscando um alvo imaginário
que o faz sorrir vencendo o frio!

Loucura lúdica e básica,
que marca o compasso
de quem passa
anônimo nas calçadas!

26 setembro, 2007

E-mail!
Olá!
Tudo bem?
Faz tempo que não escrevo não é mesmo?
Olha me lembrei muito de você esses dias quando eu estava numa Formação e não sei por que me fortaleci para o trabalho lembrando de suas palavras tão cuidadosas para mim.
Sei que demoro a escrever, mas não quero perder o contato.
Estou te enviando um texto que achei bem legal e que trabalhamos na formação aqui em PE com os professores da rede estadual.
Um abraço grande!

Heloísa Mimosa!
Quando o coração e alma de um modo mágico e encantado se fundem e se confunde com as nossas próprias indagações e procuras, por certo ali se edifica uma nova percepção e um outro olhar se faz presente, colocando ante nossas vivências, outras cores, outras faces, novos sentimentos.
Confesso que muita coisa na minha vida mudou depois daquele Encontro em São Paulo em 2005 e com certeza a minha vida tomou um outro rumo, com outros ares, novas escolhas e sem dúvida alguma, uma nova energia!
Pode ter a certeza que também me és preciosa e que volta e meia vens ao meu pensamento, onde com carinho reedito passagens e recordo muito das tuas palavras e colocações.
Fiquei feliz e acredite-me, emocionei-me com as tuas palavras.
Realmente a essência da vida e das pessoas, nem sempre aparecem e se constituem com o tempo, muitas vezes somos abençoados pela natureza espiritual que nos faz cruzar uma única vez com alguém e esse alguém por um motivo todos especial, nunca mais sai do nosso olhar, da nossa alma e do nosso coração.
Com certeza, conosco foi assim e por certo sempre haverá um canal de comunicação entre a gente, senão presencial, na certa em ondas de bons pensamentos, com energia positiva capaz de nos fazer sempre presente, em algum momento das nossas vidas.
Mimosa!
Vou ler o texto com atenção e carinho, até já o imprimi para me facilitar à leitura, quando estiver pela tarde, já em casa, tomando o meu chimarrão. Lembras dele....Rssssss!!!
Dou retorno com certeza, após essa leitura.
Um abraço sincero e afetivo.
Bjs!

25 setembro, 2007


Abraços,
Galhos ou Traços!

Abraços, traços que se cruzam,
que se laçam e se cortam,
riscos que tatuam na alma
os afetos de quem ama!

Abraços, galhos que seguram
no peito o grito doído da dor
das muitas perdas, pequenas,
anãs, pobres e vilãs,
que não superam a maior
das dores da tua perda!

Abraços, portas e janelas abertas,
sinais pra chegadas e partidas,
aconchego e parada
para uma jornada sem volta!

Abraços cravados no peito,
feito estacas, como lanças,
marcaram o compasso
do nosso bailado amoroso,
amante e amado, e que nunca
conseguiu ser, pecaminoso!

Vivemos e morremos
no conforto daquele abraço!

Natureza Violada!

Pelas serras descem estradas,
que serpenteiam ex-florestas,
já dizimadas pelas queimadas!

Terras violadas, não pelo braço
ou a força do arado,
mas pela seca que arde
e que pede apenas um gole,
da consciência que perdemos!

Pobre natureza morta
que se renova e se expande,
a cada toque do isqueiro
que se abre e se acende,
dando cabo e colorindo
toda a terra, como um carvão!

Infame e setenta é a fome
que nos deleita e consome,
mas num efeito bumerangue
a natureza se vinga!

Secas e enchentes
fazem o contraste
entre o céu e o inferno,
sem meio termo,
sem meias medidas,
sem meia volta,
pura revolta,
por sua violação!