25 setembro, 2007


Abraços,
Galhos ou Traços!

Abraços, traços que se cruzam,
que se laçam e se cortam,
riscos que tatuam na alma
os afetos de quem ama!

Abraços, galhos que seguram
no peito o grito doído da dor
das muitas perdas, pequenas,
anãs, pobres e vilãs,
que não superam a maior
das dores da tua perda!

Abraços, portas e janelas abertas,
sinais pra chegadas e partidas,
aconchego e parada
para uma jornada sem volta!

Abraços cravados no peito,
feito estacas, como lanças,
marcaram o compasso
do nosso bailado amoroso,
amante e amado, e que nunca
conseguiu ser, pecaminoso!

Vivemos e morremos
no conforto daquele abraço!

Natureza Violada!

Pelas serras descem estradas,
que serpenteiam ex-florestas,
já dizimadas pelas queimadas!

Terras violadas, não pelo braço
ou a força do arado,
mas pela seca que arde
e que pede apenas um gole,
da consciência que perdemos!

Pobre natureza morta
que se renova e se expande,
a cada toque do isqueiro
que se abre e se acende,
dando cabo e colorindo
toda a terra, como um carvão!

Infame e setenta é a fome
que nos deleita e consome,
mas num efeito bumerangue
a natureza se vinga!

Secas e enchentes
fazem o contraste
entre o céu e o inferno,
sem meio termo,
sem meias medidas,
sem meia volta,
pura revolta,
por sua violação!

21 setembro, 2007


Fábula!

De onde vem essa alegria,
misto de calor e frio,
que meu corpo conhece,
toda vez que eu me vejo,
no teu olhar refletida!

Que insanidade é essa
que faz com que te moldure
no carinho da minha saudade,
e no abraço que trocamos,
o coração dispare e nos faça
recuar feito pirraça,
como duas crianças
que não querem abrir a guarda!

Que sentimento é esse
que nos faz refém
da mesma dor?

Será amor!

16 setembro, 2007

Desdobre!

No pico, nas nuvens,
no fio da navalha,
na beira do abismo,
com altos e baixos,
vivemos o amor!

Estranho os caminhos
para quebras dos laços,
encontros marcados
para beijos e abraços,
marcando o compasso
para outras traições!

Fazemos de conta
que estamos sozinhos,
e assim com esse jeitinho,
matamos a saudade
que nos invade,
nos cega, e atrapalha
o nosso novo começar!

Como fomos entrar nessa!

15 setembro, 2007

Comentário
Face(tAs)

Sabe!
Até eu mesmo às vezes me desconheço!
Faço coisas, escrevo e me inspiro na própria dor de amor que eu sinto que agasalho e que acaricio na minha saudade.
Sinto que sou parte, cabeça, tronco e membros, coração e alma da minha própria emoção.
Sou parte e metade, soma e divisão das fantasias que crio e que a minha emoção registra e colore com as cores que a paixão nos deixa pintar o amor que se instala e que nos arrebata, sempre que estamos sob o encantamento do brilho de um olhar apaixonado.
Sou assim intensa e comedida, afoita e deliciosamente tímida, como a não querer mostrar a paixão que me acaba e me motiva e que me faz refém do meu melhor amor!
Sou misto e resumo dos meus próprios quereres...
Sou a minha paixão!
Facetas!

Se a lua tem fases,
a bola tem gomos,
o carros tem rodas
e o ano tem meses,
porque não podemos
também, ser caras e metades!

Se rirmos ou choramos
na dor e na alegria,
quem garante que não somos
também, um pouco da fantasia,
caras e bocas da loucura,
amantes, amigos e bipolares!

Como saber dessa procura,
se ficamos ou partimos
e nunca temos certeza
de como acaba
esse mito da paixão!

Chove e divago,
flutuo no sonho,
atuo, pinto e bordo,
remendo trajetórias
e me atiro no caminho,
atropelada e quase morta
pela vida que deixei passar!

O que seria da vida
sem essa dicotomia!



13 setembro, 2007

Conjecturas!

Tempero essencial para que o sentimento de amor se instale junto ao nosso coração, é sem duvida, o tempero da paixão, desse estado de felicidade que se achega sem ao menos perguntar se estamos preparados...
E aí segundo após segundo, nossa vida se modifica, e o caos da paixão, amor, saudade e dor se apossam do nosso coração e o nosso olhar se faz vago ou enlouquecido, e se faz brilhante e úmido, se de amor ou tristeza, só os que já viveram essa graça, saberão como descrevê-la um dia!

07 setembro, 2007


Minha Pátria!

Minha Pátria não é só a terra, o ar, o mar e a alegria do carnaval, do futebol que alimenta um país que se espalha ao longo desse oceano.
Minha Pátria não só a seca, a fome, a praia, um litoral majestoso, que acolhe e inebria todo aquele que ali chega, nem toda alegria desse povo que por nada ou pouca coisa, canta e dança e se esquece das suas próprias dores.
Minha Pátria é também meu coração, minha alma, meu sorriso, minha voz e meu lamento.
Minha Pátria é também minha alegria, meu calvário e minha luta, é toda a minha contradição, esperança e desalento, meu fiel, meu rumo e norte!
Minha Pátria é minha crença, meu espaço, meu terreiro, onde planto e saboto as dores do meu viver.
Minha Pátria é o meu país, onde vivo e me escondo com todos os defeitos, minhas crenças e esperanças, que amanhã será sempre um novo dia para se ter outra esperança!
Minha Pátria é a minha luta, minha estória que soletro em cada rima, em cada prosa, em cada palavra que registro em poesia.
Minha Pátria é minha vida, paixão e cruz, é o lugar onde vou deixar as minhas cinzas!
Minha Pátria será sempre esse Brasil que eu adoro!

03 setembro, 2007

Onde está!

Onde está nosso menino,
doce e lindo que eu amei
feito dinda ou só amiga...

Onde está essa criança,
outrora meiga e carinhosa,
sapeca e serelepe,
que ensinei subir em árvore,
jogar cartas e por pura diversão,
dobrar trouxinhas de alface!

Onde anda esse menino
qu’eu deixava dirigir
aos trancos e barrancos,
a baixo de gargalhadas,
na velha Panorama vermelha!

Onde anda o teu menino,
elegante, lindo e tão vaidoso,
tanto tempo sem vê-lo
que até tomei um susto!

Onde ficou aquele menino,
que hoje encontrei adulto,
gordo e tão barbudo,
avesso daquela criança
que um dia coloquei no colo
e pela mão cheia de ternura,
passeava pela rua!

Onde ficamos no tempo
que envelhecemos
e não percebemos!

Onde?